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Castelo de Lamego

“E, pero que a cidade era mui forte, foy cercada em redor. E tantos engenhos e Castellos de madeira lhe pos e tã ryjo a cõbateo que a tomou per força”

Crónica Geral de Espanha-1344

Sobranceiro a toda a cidade, o Castelo de Lamego, imponente e vigilante, afigura-se forte  no cimo do monte mais alto da cidade, contemplando os rios Coura, Varosa e Balsemão, sentinela atenta a toda a cidade,   às  encostas  do  Douro,  terras  de  Trás-os-Montes  e  Montemuro.  De acesso relativamente 

Parte do bairro do Castelo e torre de menagem

difícil, devido ao acidentado do terreno e à muralha que rodeia a cidade antiga, foi porém palco de varias lutas pela defesa da mesma. Alta e robusta, a torre de menagem ameada, ergue-se no ponto mais alto da cidade, a 543 metros de altura. De planta quadrada e porta elevada a 2 metros do solo, tem três pisos de madeira fortemente encastoada nas duras paredes de pedra. Unido à torre de menagem  por dois lados surge um  resistente  muro de pedra sem ameias, com mais ou menos 2 metros de espessura e forma de polígono hexagonal irregular, formando assim a praça de armas.

Anterior a tudo isto, talvez no século V A.D. existia já por aqui um castro (pequeno aglomerado populacional fortificado), provavelmente onde hoje se encontra o castelo, por ser este o ponto mais alto. Estes castros foram destruídos e reconstruídos ao longo dos tempos, até à reconstrução do primitivo Castelo de Lamego. A edificação do Castelo, como o conhecemos hoje, acontece na segunda metade do século XII, enquanto a muralha citadina ergue-se já no século XIII. Ao longo dos anos, o Castelo, perdeu a função defensiva para o qual fora construído, passando assim de fortificação militar a prisão, no século XVI, sendo posteriormente a cadeia da Comarca. Actualmente só existe a torre de menagem, recuperada pelo Agrupamento de Escoteiros de Lamego para sede do organismo e as muralhas, a da praça de armas e a da cidadela. Este monumento fica assim na história como um importante testemunho da fundação da cidade e um marco na formação de Portugal.

Torre de Menagem

Rua dos Moreirais, bairro do Castelo

Protectora, a muralha rodeava toda a cidade da idade média, aconchegando casas e ruas estreitas. Tinha, tal como hoje, duas entradas apenas, a “Porta do Sol” na parte sul e a “Porta da Vila” a norte. Hoje existe ainda grande parte da muralha, apesar de um pouco escondida devido ao aglomerado de casas que ao longo dos tempos se foram apegando a ela. Além das  características  casas, o  bairro,  possui  também uma cisterna, com uns vinte metros de comprido e dez de largura, pensa-se ser uma das cisternas mais  bem  conservadas  do  Pais,  abobadada  com  ogivas 

sustentadas por cintas grossas que estribam em pilares da mesma espessura. É também aqui na cidadela que se encontra a antiga Sé da cidade de Lamego, onde Sardinario foi Bispo em 572.

De difícil acesso, o castelo, depois de vários combates, foi finalmente conquistado por Fernando Magno, bisavô de Afonso Henriques, na madrugada de 29 de Novembro de 1057. A descrição das dificuldades na sua conquista estão bem patentes na crónica geral de Espanha, que fala na construção, propositadamente para esta tomada, de engenhos de madeira como catapultas e torres. Apanhados de surpresa, os mouros foram empurrados para dentro do Castelo, enquanto residentes morriam ou eram feitos prisioneiros. A rendição não tardou em aparecer  e  Fernando Magno mandou levantar a cruz que marcava o início de uma nova época para a cidade de Lamego e mais um marco na conquista da península Ibérica aos Mouros.

Torre de Menagem vista da rua de Almacave

Porta da Vila, vista interior, bairro do Castelo

Nos tempos idos, das guerras entre Mouros e Cristãos, viveu no Castelo de Lamego um Rei Mouro de nome Alboacém, pai de uma linda princesa de nome Ardínia. A sua beleza era tal que desde logo seduziu o capitão Tedon, quando um dia, disfarçado, veio a Lamego. Tedon era um cavaleiro cristão, bisneto do Rei de Leão, D. Ramiro II. O primeiro encontro entre Tedon e Ardínia acontece no laranjal do castelo numa bela noite de luar. Com o suceder dos disfarçados encontros a paixão entre os dois jovens aumentou rapidamente. Um dia os jovens apaixonados decidem fugir para o convento de S. Pedro das Águias, onde o Abade Gelásio os casou. Porém o pai da princesa, ao sentir-se atraiçoado, procurou-a por toda a parte, vindo mais tarde a encontrá-la refugiada no tal convento. Sem dó nem piedade foi pessoalmente ao esconderijo da filha e ali mesmo a matou. Diz-se hoje que nos Invernos em que o Castelo se envolve em nevoeiro, a alma da princesa Ardínia paira sobre o mesmo...

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Última actualização: segunda-feira, 23 de Agosto de 2004